Publicado em Livros e Outras Histórias

EBOOK | Cartas, Cafés e Alguns Acordes

Quem disse que não se pode lançar livro por contra própria? Juntei uma antiga vontade e um bocado de inspiração e, poucas semanas depois, Cartas, Cafés e Alguns Acordes veio ao mundo.

Capa do e-book "Cartas, cafés e alguns acordes"

Este é meu segundo e-book (escrevi/lancei o livro-reportagem Marcas do Tempo no ano passado, como projeto de conclusão do curso de Jornalismo) e, como alguém muito querido disse, é uma leitura mais leve, do tipo que pode te acompanhar numa manhã chuvosa.

Já eu acredito que é uma leitura para quando o coração quer falar mais alto; foi o que aconteceu enquanto eu escrevia os quase 40 textos que integram o livro. São contos e crônicas (alguns antigos, outros inéditos) sobre relacionamentos, amizade, família, sonhos, perspectivas, enfim: é uma mistura de tudo aquilo que grita aqui dentro.

Não sei aonde isto pode ir, mas, gostei do resultado final. Coloquei minhas palavras e meus rabiscos e deixei um pedacinho da alma ali (brincadeira, mãe!).

Você encontra o Cartas, Cafés e Alguns Acordes aqui:

https://goo.gl/rkXidy

 

Obs.: O e-book (electronic book), como o próprio nome explica, é um livro digital. Tendo escolhido a plataforma Amazon para a publicação, é necessário fazer o download do app Kindle para realizar a leitura do livro. O aplicativo é gratuito e pode ser encontrado na Play Store e na Apple Store. É possível acessar o livro por meio de tablets, computadores, smartphones, ou, no dispositivo Kindle, entre outros.
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RESENHA | A filha perdida, de Elena Ferrante

A filha perdida, de Elena Ferrante - Foto de Caroline Freitas

Venho de uma família em que as crianças vieram cedo. Foi assim com minha mãe, minhas tias, minha avó e sabe-se lá quantas mais. Embora tais questões não passem de divagação, às vezes me pergunto o que teria sido se nós, filhos da impaciência, tivéssemos chegado um pouco depois, que rumo a vida destas mulheres teria tomado.

A maternidade precoce moldou-as, assim como também influencia a vida da protagonista do romance de Elena Ferrante. Em A filha perdida, Leda, uma mulher de 47 anos, é arremessada contra as memórias de seu passado enquanto passa um período de férias numa pequena cidade litorânea.

O lugar é pouco movimentado e a chegada de uma numerosa e barulhenta família napolitana logo chama a atenção de Leda, cuja principal atração passa a ser observar a relação entre uma jovem mãe e a filha. Enquanto observa Nina e Elena a entreter-se com uma feia boneca plástica nas areias da praia, Leda não consegue deixar de refletir acerca da própria experiência como mãe.

Suas duas filhas, agora adultas, foram frutos de um casamento fracassado; mesmo tendo planejado a gravidez das garotas, elas causavam em Leda um misto de afeição e desprezo. A segunda filha, por exemplo, só surgiu por pressão social: uma criança não deveria ter que viver sem irmãos, lhe diziam.

“Eu observava minhas filhas quando elas estavam distraídas e sentia por elas uma complicada alternância de simpatia e antipatia”.

A jovem senhora é uma promissora professora universitária, exímia pesquisadora e, logo percebemos, deseja ser dona do próprio destino, custe o que custar. Fica evidente, ao longo da leitura, que, até a mudança das filhas para o Canadá, Leda encarava a maternidade como uma tarefa a cumprir: a relação entre ela e as filhas é conflituosa e, frequentemente, a sensação de que as garotas lhe roubaram algo transparece.

“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”

Ao descrever esta personagem falha, dotada de egoísmo absurdo e ações impulsivas, Elena Ferrante cria uma atmosfera inegavelmente envolvente. A autora(?), que se esconde sob o uso de pseudônimo, desenvolveu um enredo capaz de causar repulsa e empatia em semelhante (se não igual) intensidade. Leda é uma personagem crua, sem filtros; e, ainda que isto possa chocar, a forma como foi escrita contribui para que se torne mais real e palpável. E acredito que isto faz toda a diferença em uma história.

No geral, A filha perdida é um livro curto (tem aproximadamente 200 páginas) e isto contribui para a fluidez da leitura, que ocorre facilmente diante da relevância de cada parágrafo. O livro foi lançado pela primeira vez em 2006 e foi publicado no Brasil pela Intrínseca em 2016.

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Dê uma chance a Orla Gartland

Orla Gartland

É isso mesmo: dê uma chance a Orla Gartland!

Como muitos músicos atuais, Orla começou sua carreira fazendo covers no YouTube (grande parte deles em frente a uma parede amarela que, por um tempo, se tornou sua marca). Em 2013, lançou Roots, seu primeiro EP independente; Lonely People veio dois anos depois.

Hoje, aos 22, a irlandesa perambula pelas várias vertentes da música indie (sendo o pop e o folk as mais frequentes) de um jeitinho apaixonante! É só escutar alguma de suas composições mais recentes – como Just fine, que praticamente se tornou meu hino pessoal desde que foi postada no canal da ruivinha no Youtube – para entender o porquê do fascínio.

É o tipo de música que dá vontade de cantar a plenos pulmões enquanto sai dançando pela casa ou seja lá onde você estiver.

Gosto da forma como Orla vem abordando mais dramas existenciais em suas canções (cabe um julgamento. ou não.). Ela perpassou o pop romântico de seus EPs até chegar à abordagem da famigerada sensação de não saber o que diabos está fazendo da vida. É música que corre viva por aí.

Após o lançamento dos EPs, Orla se envolveu em alguns projetos de crowdfunding, como o Patreon, mas, infelizmente, ainda não há sinal de álbum à vista. Contudo, a julgar pelo número crescente de músicas inéditas sendo lançadas recentemente, eu diria que as perspectivas são promissoras.

Então, insisto: dê uma chance a Orla Gartand! Você não vai se arrepender.

Publicado em Livros e Outras Histórias

RESENHA| Um sorriso ou dois, de Fred Elboni

Com pouquíssimas exceções, as resenhas que publico aqui não tratam de lançamentos do mercado editorial. Mas, em relação ao livro da vez, o assunto é um tantinho diferente.

Um sorriso ou dois foi o primeiro livro publicado de Frederico (Fred) Elboni, escritor, roteirista, youtuber e fundador do EOH (Entenda Os Homens) – que, diga-se de passagem, foi um dos meus blogs favoritos no final da adolescência.

E o motivo de eu ter desenterrado essa história é o seguinte: o livro alcançou a marca de 100 mil exemplares vendidos e a Benvirá decidiu lançar uma edição comemorativa (e limitada) de Um sorriso ou dois. E, como vocês podem observar na foto logo abaixo, o resultado é apaixonante!

Um sorriso ou dois, de Fred Elboni

Confesso que a 1ª edição não me chamou a atenção. Tenho certo pavor a livros que exibem fotos do autor na capa. (Bobeira, eu sei.) Mas, o coração até tropeçou entre algumas batidas quando a edição comemorativa foi anunciada no mês passado. Além de o livro ter ganhado uma roupagem nova com capa dura e um belo design, os textos também foram revisados e, em alguns casos, vem acompanhados de narrações feitas por Fred (e que podem ser acessadas através de um app específico).

Um sorriso ou dois reúne contos e crônicas sobre as variadas relações humanas – sejam elas relacionamentos amorosos, amizades, ou, até mesmo a relação do homem com sua própria natureza.

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São questões tão deliciosamente humanas que é pouco provável terminar a leitura de algum dos textos sem ter pensado em algum momento: “Ei! Poderia ter acontecido comigo”, ou, então, “eu já passei por isso!”. E poucas coisas são tão bonitas quanto histórias que conversam com a gente.

 


A edição comemorativa de Um sorriso ou dois pode ser adquirida aqui.

 

Publicado em Contos e Crônicas

O pior encontro de todos

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Aquele havia sido o pior encontro de que consigo me lembrar. O filme era ruim, não havia assunto e muito menos química, porém, tendo gasto tempo e dinheiro para chegar ali, continuamos insistindo em uma situação que, desde os primeiros minutos, já havia se mostrado completamente frustrante. Fui embora naquela noite com certo alívio, desejando o conforto da minha cama e nada mais.

Momentos mais tarde, tropecei para fora dos calçados e caí desajeitada sobre a cama. Uma notificação de mensagem piscou na tela do celular e, de imediato, temi não ter sido clara o suficiente na despedida. Surpresa. O desastroso encontro foi rapidamente esquecido. Uma história da qual eu mal me lembrava ressurgia das cinzas. E a conversa sobre amenidades fluiu tão fácil que logo combinamos de nos encontrar – e nos reencontramos todos os dias desde então.

É provável que tudo isso seja questão de sorte, mas quando as coisas seguem um ritmo tão gostoso por conta própria… Ah! Meu amigo, juro de pés juntinhos que o coração até dança no peito!

Hoje em dia até rio daquele encontro ruim. (Ruim mesmo. Meu Deus.) A vida, afinal, é feita de tantos altos e baixos que faz até certo sentido que esses momentos tragicômicos aconteçam. Eles nos ajudam a reconhecer o lado bom e todas aquelas coisas que levam sorrisos tão espontâneos ao rosto que você seria capaz de sair por aí distribuindo flores a estranhos numa manhã de quinta-feira chuvosa.

 

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Turistando | Lugares aleatórios para comer na Grande Vitória

Quando o assunto é comida, toda dica é bem-vinda. E a indicação de hoje é de dois lugares para comer na Grande Vitória que são pouquíssimo divulgados. Vamos a eles!

1. PRACINHA DE ITAPUÃ – VILA VELHA, ES

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Como toda pracinha que se preze, faça chuva ou faça sol, a Pracinha de Itapuã (na Rua Belém, em Vila Velha) fica cheia de gente às sextas, aos sábados e domingos. Isso acontece porque, depois das 18h30min, várias barraquinhas de comidas e bebidas ficam espalhadas por ali. É possível encontrar de tudo: pudins, bolos, tortas, empadões, churrasquinhos, pasteis, entre outros. Os bolos, inclusive – vendidos numa barraca dedicada a eles – são o ponto alto do negócio, eu diria. São todos muito bem recheados e molhadinhos. São uma delícia! Mesmo. O de leite ninho é coisa de louco.

Além das comidas e bebidas, também tem diversão para a criançada – tudo por um precinho camarada – e música para dar uma animada no ambiente.

2. LOJA DE CONVENIÊNCIAS EM POSTO DA AVENIDA BEIRA-MAR – VITÓRIA, ES

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Sei que essa dica é pouco comum, mas, existe um motivo para que ela esteja aqui. Dois motivos, na verdade. O cappuccino e o pão de queijo da lojinha de conveniência do posto são de deixar qualquer coraçãozinho mineiro batendo mais rápido! ❤ Além disso, existe outra vantagem óbvia: o lanche sai por um valor muitíssimo abaixo do que se pagaria pelo consumo dos mesmos itens em outros lugares. E, em tempos de crise, isso é algo de que não se pode reclamar. O posto fica ao lado do prédio do DER-ES, na Avenida Beira-Mar, em Vitória.


E aí? O que achou das indicações de hoje? Conhece algum lugar que P-R-E-C-I-S-A entrar na lista? Vale até o churrasquinho da esquina, hein.

Ah, aproveita para seguir o @cafelinac lá no Instagram.

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RESENHA |A livraria mágica de Paris: um livro para respirar de novo

Há livros e livros por aí, assim como há leitores e leitores. Há livros que parecem ter sido escritos para milhões de pessoas e livros para um indivíduo apenas. Assim, cada leitura é uma experiência única.

A livraria mágica de Paris, de Nina George

Quando adquiri um exemplar de A livraria mágica de Paris, de Nina George, eu não tinha muita certeza do que me aguardava. Fui conquistada pelo título e arrebatada pela sinopse, é claro, mas da história em si, sabia pouco. Tanto melhor. Me deixei conhecer o livro aos poucos, sem depositar nele as expectativas que geralmente acompanham as obras de que já ouvi falar.

Semanas depois, tenho absoluta certeza de que eu não poderia ter feito melhor. O que A livraria mágica de Paris proporciona é bem mais do que uma simples leitura: é uma experiência que vai além do virar das páginas e do engolir de palavras por olhos devoradores. É como respirar de novo.

Monsieur Perdu (ou Jean Perdu, para os íntimos) é nosso protagonista. Jean é um livreiro, ou, mais precisamente, um farmacêutico literário. Em seu barco-livraria, receita livros a seus clientes tal qual um médico receitaria remédios a pacientes. O que Jean cura, entretanto, são males da alma. Ele procura conhecer a cada um de seus compradores e, então, vende a eles somente aquilo que será capaz de lhes trazer o que anseiam: conforto, aventura, clareza, amor. Ou a percepção dos caminhos para alcançar o que necessitam.

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E assim as coisas têm sido pelos últimos 21 anos. A farmácia-literária sempre ancorada ao mesmo lugar, tal qual seu dono. Uma causa nobre, alguns diriam. Mas, pouquíssimo justa com o próprio livreiro, que se mantinha conscientemente naquela mesma rotina por medo de despertar em si qualquer sentimento.

Mas, quando a carta de um antigo amor de Jean vem à tona (muito a contragosto, diga-se de passagem), ele percebe que precisa dar novo rumo à vida. Num ato impulsivo, corta as amarras que mantinham o barco em seu posto habitual e dá início a uma jornada em busca de redenção.

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“Não podemos decidir amar. Não podemos fazer ninguém nos amar. Não há receita. Há apenas o amor”. (p. 102)

Li o livro aos pouquinhos – um ou dois capítulos por dia, porque não consigo imaginar que essa leitura em particular possa fluir de outra forma – e acompanhei Jean em sua busca. Em certos momentos, me tornei a própria história. E não acho que possa existir sensação melhor.

A redenção que Jean buscava era por erros cometidos no passado, mas o que descobre é muito maior que isso. É preciso se perdoar, eventualmente. E voltar a confiar em si.

A forma como essas impressões são apresentadas ao longo da história é algo a ser considerado. Nina George criou personagens tão humanas… E isso é um feito para lá de admirável. São personagens falhas, quebradas, que têm algo a aprender. E assim também somos nós, feitos de carne e osso. É uma história com a qual é certo se identificar em algum momento e pela qual também é provável se apaixonar. Basta uma chance.